“Bendito o incômodo que te fez querer mudar”
- Dra. Heiby Schiavinato

- 2 de mar.
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Bendito o incômodo, porque ele não vem para destruir, mas para interromper.
Interromper repetições automáticas, silêncios antigos, acomodações que já não sustentam o desejo.
Na psicanálise, o incômodo é sinal de que algo do sujeito não se encaixa mais na forma como ele vinha vivendo. É quando o sintoma deixa de ser apenas suportado e passa a ser escutado. Quando o mal-estar deixa de ser anestesiado e começa a ser interrogado.
Não é o conforto que produz transformação.
É o estranhamento.
É a angústia que aponta que há vida pulsando, pedindo passagem.
O incômodo é a fenda por onde o desejo pode emergir. Ele marca o momento em que o sujeito já não consegue mais ser quem era — mas ainda não sabe quem pode vir a ser. É exatamente aí que algo novo se anuncia.
Por isso, bendito o incômodo.
Não porque ele doa, mas porque ele revela.
Não porque ele seja fácil, mas porque ele é honesto.
Toda mudança verdadeira começa quando o sujeito para de perguntar “como faço para isso parar?” e começa a se perguntar “o que isso quer me dizer sobre mim?”.
O incômodo não é o fim.
É o início do movimento.
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